sábado, 1 de outubro de 2016

Kyrie - Cantochão séc. XI





Cantochão é a denominação aplicada à prática monofônica de canto utilizada, desde os primórdios da Idade Média, com os monges reginaldinos, por cantores nos rituais sagrados, originalmente desacompanhada.
 Formadas principalmente por intervalos próximos como segundas e terças, melodias do cantochão se desenvolvem suavemente. O cantochão é o principal fundamento da chamada música ocidental, sobre o qual toda a teoria posterior se desenvolve, ao contrário de outras artes que apontam para a época clássica da civilização greco-romana, ou até mesmo fontes anteriores. O cantochão é também a música mais antiga ainda utilizada, sendo cantada não só em Mosteiros como também por coros leigos no mundo todo.
Kyrie ( Oh! Senhor ) eleison ( ter piedade ) = Senhor tende piedade


Κύριε ἐλέησον, Χριστὲ ἐλέησον, Κύριε ἐλέησον.
Kyrie eleison; Christe eleison; Kyrie eleison.
"Senhor, tende piedade (de nós); Cristo, tende piedade (de nós); Senhor, tende piedade (de nós)".
 
 

 Hino Pela Virgem Dolorosa de Ovair Palestrina

SolCira 
22Nov2016

Cantochão | História da Música #1

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Minha Laranjeira

Há mais ou menos 05 anos atrás degustei uma saborosa laranja. Adocicada mas, não muito. Vida fervilhando em cada gomo. perfeita acidez. Odor delicioso. Ao primeiro olhar fiquei encantada. Ao ter contato com a fruta meu corpo sorriu e com prazer exultou. Indescritível sensação tomou conta de meu ser ao degustá-la. Reverenciei à natureza que se faz em alimento. Agradeci à Deus pela oportunidade de saborear esta fruta, de poder vê-la, sentí-la dentro de meu corpo. Minha mente exultava em prazer. Meu corpo estremecia ao seu sabor. Separei dela as sementes e de sua casca fiz um poderoso doce .Eu e a laranja ficamos unidas e nos sentimos parte uma da outra. As sementes foram para um vaso com terra e depois de um tempo, uma semente especial explodiu em vida. Lançou ao céu suas primeiras folhas. perfurou a terra com sua raíz diminuta, forte e determinadamente se fixou ao solo buscando nele seus nutrientes. Todos os dias acompanhei o crescimento dela. Acariciei suas primeiras folhas e seu tronco fino e delicado. Seu crescimento foi lento mas seguro. Conversar com ela era e é divertido. Assim, ela cresceu. Folhas de fresco verdume e odor inigualável. Muitas vezes pedi 03 folhas e fiz um chá delicioso. Outras vezes, usava 01 folha como perfume. Querida laranjeira cuja semente esteve em minha boca. Como um filho que precisa de espaço para crescer, minha laranjeira também assim precisou. Temerosa, levei-a para a calçada em frente a minha casa. Conversamos antes disto. Ela era um bonzai natural fixado em um balde azul. Ali na calçada ela não ficou só. Outras árvores já minhas conhecidas estavam lá e a minha espada de São Jorge também. Sei que foi difícil para ela se convencer de sua potencialidade. Acostumada num balde como casa se sentiu temerosa durante algum tempo. Ali ficou uns anos quietinha mas, todos os dias eu passava lá. retirava insetos que queriam se hospedar nela. Regava-a. Vi seu tronco tomar força e vigor. Ela estava consciente de não ser mais um bonzai e que estava livre para crescer e frutificar. Vi seus primeiros espinhos aparecerem qual agulhas pontudas, proteção natural das laranjeiras. Há um tempo atrás batemos um belo papinho : disse-lhe que achava que eu não teria tempo para ver-lhe flores e frutos. Seu crescimento lento, sua infância e adolescência eu já havia visto mas, achava que sua fase adulta e fértil eu não presenciaria. Setembro chegou ( 2016 é o ano ) . Meu aniversário é dia 11 de setembro. Faço 67 anos. Hoje é dia 05 de setembro de 2016 e recebi meus primeiros presentes de aniversário. Minha laranjeira está florindo. Estou emocionada. Flores pequenas, brancas, lindas onde abelhinhas vêm buscar o doce pólen. Algumas flores já estão dando origem aos frutos miúdos, verdinhos, uma pequenina bolinha que irá se transformar numa laranja. Querida laranjeira, filha adotiva, agora adulta. Cresceu, mostrou seu vigor, sua altivez. Que mais posso querer como presente? Agora estou esperando o crescimento de suas frutas mas existe uma preocupação. As crianças terão respeito e deixarão suas frutas amadurecerem ? Crianças são curiosas e alguns adultos também. Como encarar o perigo que suas frutas estão correndo? Vou tentar protegê-la para que seu ciclo se complete. Ah!! esqueci de contar que ela já abrigou um ninho de passarinhos e já começa a dar sombra fresca aos que passam pela calçada.
Obrigada laranjeira pelo presente que você me ofertou.
Obrigada a Ti, Deus de meu coração por me ter encantado com aquela bela laranja no supermercado.
Presente de Deus, presente de visa, presente da vida.
SolCira
2016




Fotos : SolCira  2016

David Garrett Smells Like Teen Spirit Nirvana cover

segunda-feira, 18 de julho de 2016

O que tem a comunicação com o rio



Sei que a comunicação não pode ser estanque e ela varia como varia a sociedade ,com a atualidade  tecnológica, com o local onde vivemos.
Antigamente, e isto não é tão longe assim, a comunicação era feita através de cartas ou recados enviados oralmente ou por bilhetes.
Nas escolas eram ensinados a escrever uma carta e bilhetes a amigos. Bilhetinhos para lá, bilhetinhos para cá.
Comunicados assinados, datados, cartas longas, curtas, cartões postais.
O rádio era a novidade e vi " o rádio de pilha " entrar nos ombros de meu pai que, sorria dando um susto em mim e em minha mãe.
Rádio que nos acompanhou durante anos seguidos. O tamanho qual um tijolo, cor de papel pardo não muito escuro, couro cobrindo toda a superfície. Tinha uma alça para segurar e enfeites dourados. O dial era uma grande circunferência transparente. As pilhas eram enormes e o som bem alto. Nunca precisou de concerto e um belo dia parou. Ficou enfeitando o armário até que não o vi mais.
Como tudo na vida há um tempo determinado para findar.
Morávamos perto de um rio. Em suas margens eu brinquei com outras crianças, vi peixinhos, os famosos barrigudinhos mas haviam também os coloridos, com caudas longas bamboleantes. Do outro lado da margem caminhões pegavam areia. meu pai dizia que era para ser usada em obras. Era bom sentir o sol morno e brincar em suas margens de areia branca.
Interessante. Hoje este rio está manilhado, desapareceram as margens, os peixes, a vegetação. Nos pés de mamonas nós fazíamos guerra. haviam frutinhas que chamávamos de uvinhas do mato e que eram adocicadas. E o melão de São João Caetano com suas semente vermelhinhas era uma douçura. Os talos das folhas da mamona seriam para atirar bolinhas de papel ou fazer flautas mágicas.
Quando a chuva era forte demais o rio enchia, trazia cães, cavalos, armários, troncos de árvores. Muitos animais não conseguiam sobreviver à sua fúria, a água ficava escura, tremendamente escura.
Muitas vezes nossa casa chegou a ser inundada e me lembro que certa vez meu pai me colocou em cima da mesa para que eu ficasse protegida das águas do rio. Depois que as água baixavam íamos ver o que havia sobrado. O rio virava um mar em fúria e depois se acalmava.
Assim como eu ia até ele ele vinha até mim. Rio danado cheio de lembranças infantis, hoje encanado.
Em alguns lugares ele ainda aparece e me traz lembranças de um tempo que se foi e que só se encontra em um local escondidinho de minha mente.
Há algum tempo atrás passei por cima dele, tudo asfaltado, comércio e ruas foram abertas mas, tenho certeza que ele estava lá como ainda vai estar mesmo quando meu corpo se acabar.

SolCira
18/07/2016

Só olhando é que se vê




Escrever um texto?? Como escrever um texto??? Por que escrever um texto??
Gosto de escrever algo em forma de texto.
Contar do brilho no chão causado pela iluminação proveniente do teto.
Olhar a diversidade das pessoas que passam : seus corpos, o modo  de se vestirem, os penteados, os braços balançando para frente e para trás, o andar agitado, gingado ou não, o pisar torto, desregulado, na bípede instabilidade do ser humano.
Aprecio a ornamentação local.
Vasos de barro brilhantes, coqueiros ( verdadeiros ou não ) , antúrios, palmeiras e outras variedades suculentas que não conheço.
E a ornamentação local ?
Vozes diversificadas.
Odores em geral, variados, secos, doces, amargos.
A escada rolante sobe e desce ininterruptamente.
A criança que grita querendo um não sei o que. Perturba insistentemente papais e mamães irritados com a gritaria.
O homem gordo usa bengala, será que seus joelhos não suportam mais seu peso exagerado??
A mulher idosa está com sacolas coloridas penduradas nos ombros.
Shorts, calças compridas, camisas, camisetas, sandálias, sapatos, tênis chuleirentos.
Mochilas, bolsas. bolsinhas, sacos, sacolas e celulares, muitos celulares.
Ah!!! e chapéus, bonés, faixas nos cabelos, laços, lacinhos, laçarotes....
Ao fundo o segurança, de terno preto, gravata e crachá, muda o peso de seu corpo direta, esquerda, deve estar com alguma dor no corpo mas está atento.
E os cabelos, isto sim é legal, longos, curtos, tranças, coques, rabo de cavalo, vermelhos, azuis, trancinhas aos milhares, brancos, cinzas, jubas, arrepiados qual filme fantasmagórico, carecas...
Acho interessante usar óculos na cabeça, ou na testa. Penso se isto funciona para enxergar melhor.
Bebês, crianças, adolescentes, idosos num amontoado geral.
Casacos amarrados na cintura, acho que o traseiro está com frio.
Ouço vozes com seus diversos comentários, sons variados num tremendo burburinho.  muitos semblantes sorridentes, outros muito carrancudos, alguns até gritam com suas parceiras.....
Ouço o canto de um passarinho é um som mentiroso, eletrônico que vem lá de fora, da rua, dos vendedores ambulantes que rondam o shopping.
Saio dali e me misturo ao rebuliço local.
Para onde vou???
Sigo um caminho que nem sei onde vai parar....

SolCira
18/07/2016