segunda-feira, 18 de julho de 2016

O que tem a comunicação com o rio



Sei que a comunicação não pode ser estanque e ela varia como varia a sociedade ,com a atualidade  tecnológica, com o local onde vivemos.
Antigamente, e isto não é tão longe assim, a comunicação era feita através de cartas ou recados enviados oralmente ou por bilhetes.
Nas escolas eram ensinados a escrever uma carta e bilhetes a amigos. Bilhetinhos para lá, bilhetinhos para cá.
Comunicados assinados, datados, cartas longas, curtas, cartões postais.
O rádio era a novidade e vi " o rádio de pilha " entrar nos ombros de meu pai que, sorria dando um susto em mim e em minha mãe.
Rádio que nos acompanhou durante anos seguidos. O tamanho qual um tijolo, cor de papel pardo não muito escuro, couro cobrindo toda a superfície. Tinha uma alça para segurar e enfeites dourados. O dial era uma grande circunferência transparente. As pilhas eram enormes e o som bem alto. Nunca precisou de concerto e um belo dia parou. Ficou enfeitando o armário até que não o vi mais.
Como tudo na vida há um tempo determinado para findar.
Morávamos perto de um rio. Em suas margens eu brinquei com outras crianças, vi peixinhos, os famosos barrigudinhos mas haviam também os coloridos, com caudas longas bamboleantes. Do outro lado da margem caminhões pegavam areia. meu pai dizia que era para ser usada em obras. Era bom sentir o sol morno e brincar em suas margens de areia branca.
Interessante. Hoje este rio está manilhado, desapareceram as margens, os peixes, a vegetação. Nos pés de mamonas nós fazíamos guerra. haviam frutinhas que chamávamos de uvinhas do mato e que eram adocicadas. E o melão de São João Caetano com suas semente vermelhinhas era uma douçura. Os talos das folhas da mamona seriam para atirar bolinhas de papel ou fazer flautas mágicas.
Quando a chuva era forte demais o rio enchia, trazia cães, cavalos, armários, troncos de árvores. Muitos animais não conseguiam sobreviver à sua fúria, a água ficava escura, tremendamente escura.
Muitas vezes nossa casa chegou a ser inundada e me lembro que certa vez meu pai me colocou em cima da mesa para que eu ficasse protegida das águas do rio. Depois que as água baixavam íamos ver o que havia sobrado. O rio virava um mar em fúria e depois se acalmava.
Assim como eu ia até ele ele vinha até mim. Rio danado cheio de lembranças infantis, hoje encanado.
Em alguns lugares ele ainda aparece e me traz lembranças de um tempo que se foi e que só se encontra em um local escondidinho de minha mente.
Há algum tempo atrás passei por cima dele, tudo asfaltado, comércio e ruas foram abertas mas, tenho certeza que ele estava lá como ainda vai estar mesmo quando meu corpo se acabar.

SolCira
18/07/2016

Só olhando é que se vê




Escrever um texto?? Como escrever um texto??? Por que escrever um texto??
Gosto de escrever algo em forma de texto.
Contar do brilho no chão causado pela iluminação proveniente do teto.
Olhar a diversidade das pessoas que passam : seus corpos, o modo  de se vestirem, os penteados, os braços balançando para frente e para trás, o andar agitado, gingado ou não, o pisar torto, desregulado, na bípede instabilidade do ser humano.
Aprecio a ornamentação local.
Vasos de barro brilhantes, coqueiros ( verdadeiros ou não ) , antúrios, palmeiras e outras variedades suculentas que não conheço.
E a ornamentação local ?
Vozes diversificadas.
Odores em geral, variados, secos, doces, amargos.
A escada rolante sobe e desce ininterruptamente.
A criança que grita querendo um não sei o que. Perturba insistentemente papais e mamães irritados com a gritaria.
O homem gordo usa bengala, será que seus joelhos não suportam mais seu peso exagerado??
A mulher idosa está com sacolas coloridas penduradas nos ombros.
Shorts, calças compridas, camisas, camisetas, sandálias, sapatos, tênis chuleirentos.
Mochilas, bolsas. bolsinhas, sacos, sacolas e celulares, muitos celulares.
Ah!!! e chapéus, bonés, faixas nos cabelos, laços, lacinhos, laçarotes....
Ao fundo o segurança, de terno preto, gravata e crachá, muda o peso de seu corpo direta, esquerda, deve estar com alguma dor no corpo mas está atento.
E os cabelos, isto sim é legal, longos, curtos, tranças, coques, rabo de cavalo, vermelhos, azuis, trancinhas aos milhares, brancos, cinzas, jubas, arrepiados qual filme fantasmagórico, carecas...
Acho interessante usar óculos na cabeça, ou na testa. Penso se isto funciona para enxergar melhor.
Bebês, crianças, adolescentes, idosos num amontoado geral.
Casacos amarrados na cintura, acho que o traseiro está com frio.
Ouço vozes com seus diversos comentários, sons variados num tremendo burburinho.  muitos semblantes sorridentes, outros muito carrancudos, alguns até gritam com suas parceiras.....
Ouço o canto de um passarinho é um som mentiroso, eletrônico que vem lá de fora, da rua, dos vendedores ambulantes que rondam o shopping.
Saio dali e me misturo ao rebuliço local.
Para onde vou???
Sigo um caminho que nem sei onde vai parar....

SolCira
18/07/2016